Polícia Civil desarticula organização criminosa procurada pela autoria de homicídio violento na zona norte da cidade

A Polícia Civil do Amazonas, representada pelos delegados Juan Valério e Torquato Mozer, titular e adjunto, respectivamente, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), falou durante coletiva de imprensa realizada às 10h30 desta segunda-feira (05/03), no prédio da especializada, sobre o balanço da operação “Keres”, deflagrada na noite do último sábado (03/03), na segunda etapa de um conjunto habitacional situado no bairro Lago Azul, zona norte de Manaus, quando foram cumpridos oito mandados de prisão provisória por homicídio. Ao longo das diligências foram recapturados três foragidos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

O major Klinger Paiva, secretário da Secretaria-Executiva-Adjunta de Operações Integradas (Seaop), vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), também esteve presente na coletiva de imprensa. Segundo os delegados, as investigações que culminaram na operação foram iniciadas após o homicídio de Rodrigo dos Santos Aranha, que era conhecido como “Baloteli”, ocorrido no dia 3 de dezembro de 2017, no local onde foi deflagrada a ação. Na ocasião, a vítima, que tinha 21 anos, foi agredida e morta por 22 pessoas. “Baloteli” foi decapitado e teve a cabeça jogada nas proximidades de uma quadra de esportes naquela região.

Juan Valério informou que os mandados de prisão temporária, com prazo de 30 dias, foram expedidas no dia 9 de fevereiro deste ano, pela juíza Mirza Telma de Oliveira Cunha, da 1ª Vara do Tribunal do Júri. As ordens judiciais foram cumpridas em nome de Beatriz Lisboa Amaral, 18; Joyce Mara Batista da Silva, 19; Samara Silva Lima, 25; José Roberto Marinho Carlos, 34, o “Betinho”, e nos nomes de duas adolescentes, sendo uma de 14 e outra de 17 anos. Após a identificação das adolescentes, elas foram encaminhadas para a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai).

O titular da DEHS destacou que também foram cumpridos mandados de prisão temporária em nome de dois indivíduos que já estavam presos: Francisco Gleisson Juca da Rocha, 26, conhecido como “Plenitude”, e Ateildo Costa Ribeiro, 36, o “Bola”. Segundo Juan Valério, “Plenitude” é o mandante do homicídio de Rodrigo, além de ser apontado como o chefe da organização criminosa que atua no bairro Lago Azul. O infrator está cumprindo pena no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM). Já “Bola” era responsável por executar as ordens de “Plenitude”. Ele foi preso na última sexta-feira (2/3), pelas equipes do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e Seaop.

Investigação – Conforme o delegado Torquato Mozer, além dos oito envolvidos, outras duas pessoas, ligadas ao crime, morreram durante as investigações. A autoridade policial enfatizou que 12 pessoas que participaram da morte de Rodrigo continuam foragidas.

“Já tínhamos iniciado as investigações em torno de homicídios ocorridos naquele conjunto habitacional. No caso de Rodrigo, especificamente, conseguimos identificar que 22 pessoas participaram do delito. Isso não quer dizer que as 22 pessoas executaram a vítima, mas participaram de alguma forma para que o crime acontecesse. Então, a partir daí, conseguimos vários elementos de informação que comprovavam a participação de todos e, no último sábado, realizamos essa operação, onde obtivemos êxito nas prisões e apreensões desses indivíduos”, pontuou Torquato Mozer.

O delegado adjunto da DEHS destacou que durante as diligências os policiais civis conseguiram identificar que a casa de “Betinho” era o local onde os membros dessa organização criminosa realizava os encontros e que eles eram liderados por um indivíduo que está cumprindo pena no sistema prisional, no caso “Plenitude”. Mozer disse que o detento autoriza as execuções e é o líder do tráfico de drogas naquela região.

Operação – Juan Valério ressaltou que na madrugada de domingo (04/03), por volta das 2h, as equipes se dirigiram ao conjunto habitacional e cercaram um bar que estava sendo monitorado, onde alguns alvos da operação frequentavam, impedindo que as pessoas que estavam no lugar conseguissem fugir. Ao todo, cerca de 300 pessoas foram abordadas.

 “Sabíamos que parte dos integrantes da organização criminosa frequenta o bar, então utilizamos uma tática operacional denominada ‘Cavalo de Troia’ e, com isso, conseguimos chegar de maneira furtiva até o local, utilizando táticas operacionais. Fizemos o fechamento do perímetro com êxito para que não ocorresse nenhum efeito. No lugar estavam, aproximadamente, 300 pessoas”, declarou o titular da DEHS.

Ao longo da operação foram recapturados, ainda, Cássio Matheus Santos de Oliveira, 21; Dione Samias de Castro, 27, e Fabrício de Souza de Almeida Júnior, 20, foragidos do regime semiaberto do Compaj. Eles deixaram de comparecer à unidade prisional, onde cumpriam pena por tráfico de drogas, roubo e roubo, respectivamente. Fabrício é irmão da adolescente de 17 anos que foi apreendida durante a operação.

“Por meio do levantamento feito do local pela equipe da DEHS, nós verificamos que eles tinham um pessoal avançado em pontos de observação, o que dificultaria uma abordagem simples. Então, assim que chegassem uma viatura caracterizada, ou algum veículo já conhecido como um veículo de polícia, eles poderiam fugir do lugar. Então, passamos a estudar a área, verificamos que a melhor tática seria a chamada ‘Cavalo de Tróia’. Com isso entramos ali furtivamente, alguns veículos bem descaracterizados, para que não gerasse essa suspeita. Dessa forma conseguimos lograr êxito na abordagem”, declarou o secretário da Seaop, major Klinger Paiva.

Efetivo – Além de policiais civis que atuam na DEHS, a ação contou com o reforço das equipes do DRCO, Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (Fera), Departamento de Polícia do Interior (DPI), Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai); 15º, 18º e 26º Distritos Integrados de Polícia (DIPs), Gabinete do Delegado Geral e Gabinete do Delegado-Geral Adjunto da Polícia Civil do Estado.

Participaram, ainda, servidores lotados na Secretaria-Executiva-Adjunta de Inteligência (Seai) e Secretaria–Executiva-Adjunta de Operações (Seaop) da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), além de policiais militares que integram a Companhia de Operações Especiais (COE) da corporação.

Indiciamento – Beatriz, Joyce Mara, Samara, José Roberto, Ateildo e Francisco Gleisson foram indiciados por homicídio qualificado. As duas adolescentes foram levadas para Deaai e irão responder por ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado. As mulheres serão levadas ao Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF). José Roberto será encaminhado ao CDPM, bem como Ateildo e Francisco. Os três foragidos foram reconduzidos ao Compaj.

Significado – Juan Valério explicou que a operação recebeu o nome de “Keres” em alusão à deusa da mitologia Keres ou Queres, que simboliza o destino cruel e morte violenta aos mortais.

FOTOS: ROBSON ADRIANO E ERLON RODRIGUES/ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA PC-AM


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